quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Lamentavel perda de vidas



Tragédia na Arábia Saudita: o que se sabe até agora




 
Mais de 700 peregrinos morreram, a maioria pisoteados, e pelo menos 860 ficaram feridos após um tumulto ocorrido na última quinta-feira durante o Hajj, como é chamada a peregrinação anual à cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita.

Autoridades sauditas deram início a uma investigação sobre o que motivou a tragédia, mas ainda há muitas questões a serem respondidas.

Confira o que se sabe até agora.

Quando e onde a tragédia aconteceu?
As autoridades de defesa civil da Arábia Saudita dizem que o tumulto aconteceu por volta das 9h locais (3h de Brasília) na quinta-feira no cruzamento das ruas 204 e 233 da cidade de Mina, um grande vale localizado a cinco quilômetros ao leste de Meca.

Os peregrinos estavam caminhando de uma área coberta em direção a uma grande estrutura com vista para os pilares de Jamarat, onde o ritual de apedrejamento do diabo é conduzido.

O que causou a tragédia?
 
Segundo um porta-voz do Ministério do Interior saudita, o major-general Mansour al-Turki, investigações iniciais apontam que duas multidões vindas de direções contrárias se chocaram no cruzamento das ruas 204 e 223. Como resultado, houve empurra-empurra e pânico.

O que não está claro é como tudo aconteceu. Testemunhas afirmam que uma rua próxima havia sido fechada, forçando aqueles que se dirigiam ao local do ritual a usar a mesma rota que aqueles que deixavam o espaço.

Por sua vez, o ministro da Saúde saudita, Khaled al-Falih, optou por culpar os peregrinos, sugerindo que alguns deles teriam "caminhado sem seguir as instruções indicadas pelas autoridades competentes". O Irã, no entanto, instou o governo saudita a assumir a responsabilidade pelo incidente.

Testemunhas dizem que fazia muito calor no momento da tragédia, o que teria contribuído para disseminar o pânico.
A rua onde o tumulto aconteceu tem 12 metros de largura e é ladeada por grandes portões, por trás dos quais ficam as tendas montadas para acomodar os peregrinos.

De onde eram as vítimas?
As vítimas são de diferentes nacionalidades. Segundo autoridades sauditas, a maior parte dos mortos é de origem iraniana (131). Mas há também indianos (14), paquistaneses (6), turcos (4), indonésios (3), quenianos (3) e egípcios (8).
Entre os mortos, há também cidadãos do Níger, Chade, Argélia e Marrocos, mas os números ainda não foram confirmados. O governo do Afeganistão afirmou que pelo menos oito peregrinos do país estão desaparecidos.

Quais medidas de segurança foram tomadas?
 
Nos últimos anos, as autoridades sauditas alegam ter gastado bilhões de dólares para melhorar o transporte e outros tipos de infraestrutura, na intenção de evitar tragédias como a que ocorreu na última quinta-feira.

A tragédia poderia ter sido evitada?
O tumulto aconteceu do lado de fora do complexo de cinco andares Jamarat Bridge, concluído em 2007. A estrutura teve um custo exorbitante, para, segundo alega o governo saudita, aumentar a segurança dos peregrinos.

Cerca de 5 mil câmeras de segurança monitoram a área que engloba Meca e Medina. Além disso, 100 mil agentes de segurança foram deslocados para o evento deste ano.
Frente ao número crescente peregrinos que participam do Hajj, o governo também vem atuando, nos últimos quatro anos, na ampliação da Grande Mesquita.

No entanto, no início deste mês, um guindaste caiu sobre o local durante uma tempestade, deixando mais de 100 mortos.