sábado, 5 de maio de 2018

Tudo Lindo


Chimamanda Ngozi Adichie em campanha pela moda nigeriana
A escritora feminista promove o design autoral no projeto Wear Nigerian
14/08/2017 - 15h26 - Atualizado 09h22 por RAQUEL CHAMIS
























A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie está à frente do projeto Wear Nigerian (Foto: Getty Images)


Cada palavra de Chimamanda Ngozi Adichie é um convite a pensar sobre a questões de gênero e de raça. A partir de agora, cada aparição pública também. É que a autora de livros como Americanah (título vencedor do National Books Critics Circle Award) e de discursos de cunho feminista (alguns tiveram trechos musicados por Beyoncé na canção Flawless) acaba de lançar a campanha Wear Nigerian.

Na pratica, é algo simples: ela se comprometeu a vestir roupas assinadas por seus conterrâneos em todos os eventos de que participa  – de premiações literárias internacionais a get-togethers da moda, como o aniversário de 70 anos da Dior em Paris. Os créditos são informados em sua conta de Instagram, @chimamanda_adichie. Esses movimentos, porém, significam bem mais do que um "look do dia". Celebram o comprometimento com narrativas mais plurais sobre o vestir.

"Nas últimas semanas, comprei mais peças de marcas nigerianas do que jamais fiz no passado. Descobri novos nomes. Fui tomada de admiração por mulheres e homens que tocam seus negócios apesar dos inúmeros desafios. Estou particularmente focada em marcas que tenham interesse em vestir mulheres nigerianas."

 Alguns dos looks postados pela escritora em seu perfil @chimamanda_adichie (Foto: Reprodução Instagram)

A empreitada custou alguns botões trocados (em função de dificuldades técnicas e com matéria prima de algumas marcas), disse a escritora no comunicado da ação. Por outro lado, tem dado oportunidade para que um time de criadores (novos e consolidados) seja visto para além das fronteiras do país. Grifes como Ladunni Lambo, Gozel Green e MsBeeFab ganharam uma vitrine especial: Chimamanda "se sente quem realmente é" quando veste as cores e modelagens nigerianas e estimula outras pessoas a tomarem decisões de moda mais conscientes – e com impacto econômico. 

Roupas e histórias por um mundo mais diverso  
Moradora de Lagos, maior cidade da Nigéria, Chimamanda fez faculdade nos Estados Unidos. Foi lá, quando uma colega de quarto a recebeu com perguntas sobre seu país de origem, que tomou consciência sobre o desconhecimento de muitas pessoas sobre a África. Chimamanda disse, anos mais tarde, que atribuía essa postura à ausência de personagens e histórias da literatura que representassem a diversidade do continente. Ela mesma, por muito tempo, não se reconheceu nas páginas que lia.
     
"As coisas mudaram quando eu descobri os livros africanos. Não havia muitos disponíveis e eles não eram tão fáceis de encontrar como os livros estrangeiros. Mas devido a escritores como Chinua Achebe e Camara Laye eu passei por uma mudança mental em minha percepção sobre a literatura. Percebi que pessoas como eu, meninas com a pele cor de chocolate, cujos cabelos não poderiam formar rabos de cavalo, também poderiam existir na literatura. Comecei a escrever sobre coisas que eu reconhecia."

A busca por criar um mundo mais diverso, que é um de seus motores na literatura, mantém-se no projeto Wear Nigerian, dessa vez com vistas à identidade fashion. Ao vestir-se de nomes locais, lembra o mundo que os designers nigerianos existem e podem marcar espaço no cenário internacional. Assim como os escritores que transformaram a sua percepção sobre a literatura, ajuda a salvar o mundo de uma história única sobre a moda.





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quinta-feira, 29 de março de 2018

Retaliações


Rússia expulsa 60 diplomatas americanos
Em resposta à expulsão de funcionários russos pelos EUA, Moscou anuncia medida recíproca, que inclui fechamento do consulado americano em São Petersburgo. Decisão está ligada ao envenenamento de ex-espião russo.



 O consulado americano em São Petersburgo, a segunda maior cidade da Rússia

A Rússia anunciou nesta quinta-feira (29/03) a expulsão de 60 diplomatas americanos de seu território, bem como o fechamento do consulado dos Estados Unidos em São Petersburgo, em resposta a medidas semelhantes adotadas pelo governo americano no início desta semana.

"As medidas serão recíprocas. Elas incluem a expulsão do número equivalente de diplomatas, bem como nossa decisão de anular o acordo que permite que o consulado geral dos Estados Unidos opere em São Petersburgo", afirmou o ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov.

Segundo o Ministério do Exterior, foram declarados persona non grata 58 diplomatas em Moscou e dois funcionários do consulado em Ecaterimburgo. Eles terão até 5 de abril para deixar o país.

A decisão é mais um episódio da escalada de tensão entre Moscou e o Ocidente após o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal em 4 de março passado no Reino Unido. Londres, que acusa a Rússia de responsabilidade pelo ataque, recebeu o apoio de seus aliados no caso.

Na última segunda-feira, os EUA anunciaram a decisão de expulsar 60 diplomatas russos e fechar o consulado do país em Seattle, em resposta ao envenenamento de Skripal. A atitude foi seguida por mais de 20 países, que desde então já expulsaram, ao todo, cerca de 150 diplomatas da Rússia.

Na ocasião, Washington afirmou que as medidas faziam parte de uma ação coordenada contra Moscou, e que foram tomadas "em resposta ao uso, por parte da Rússia, de uma arma química de nível militar no solo do Reino Unido". Foi a ação mais dura já tomada pelo governo do presidente Donald Trump contra Moscou.

O anúncio russo desta quinta-feira é a primeira resposta do Kremlin desde a onda de reações internacionais ao incidente, que também levou à expulsão de sete diplomatas russos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na terça-feira.

Além dos EUA, o ministro Lavrov afirmou que Moscou também pretende responder à altura aos outros países que expulsaram diplomatas russos em apoio a Londres.

Segundo o chanceler russo, seu país reage a "ações absolutamente inaceitáveis tomadas contra nós sob uma pressão muito dura dos EUA e do Reino Unido, com o pretexto do chamado caso Skripal". Ele acusou o governo britânico de "forçar todo mundo a seguir um caminho anti-Rússia".

Os Estados Unidos, por sua vez, rechaçaram as medidas anunciadas pelo Kremlin nesta quinta-feira, afirmando "não haver justificativa" para tal. "A Rússia decidiu tomar uma atitude lamentável e injustificada para responder às nossas medidas totalmente justificadas", disse Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado americano.

Trata-se da segunda represália russa no caso Skripal. Há cerca de duas semanas, Moscou havia ordenado a expulsão de 23 diplomatas britânicos em resposta a medida idêntica tomada pelo Reino Unido em reação ao envenenamento. O governo russo também vetou a abertura de um consulado em São Petersburgo, a segunda maior cidade do país.

Skripal, de 66 anos, e sua filha Yulia, de 33, permanecem internados desde que foram encontrados inconscientes, em 4 de março passado, num banco próximo a um parque na cidade de Salisbury, localizada a 120 quilômetros de Londres.

Os médicos comunicaram nesta quinta-feira que o estado de saúde de Yulia deixou de ser crítico. "Estou feliz em poder informar uma melhora na condição de Yulia Skripal. Ela respondeu bem ao tratamento, mas continua recebendo cuidado clínico especializado 24 horas por dia", disse Christine Blanshard, diretora clínica do hospital em Salisbury. O estado do pai segue crítico, mas estável.

Especialistas britânicos que trabalham no caso identificaram o agente nervoso que os envenenou como pertencente a um grupo de substâncias tóxicas conhecido como Novichok, fabricado pela União Soviética nos anos 1970 e 1980. A Rússia, porém, nega qualquer envolvimento no ataque.

Nesta quarta-feira, o Ministério do Exterior russo cogitou a participação do próprio Reino Unido no crime. "Uma análise de todas as circunstâncias revela um desinteresse das autoridades britânicas em encontrar os verdadeiros motivos e os perpetradores do crime", disse o governo em nota. "Isso nos leva à ideia de um possível envolvimento dos serviços especiais britânicos."