quarta-feira, 6 de junho de 2018

Precisamos de Paz num Brasil em guerra


De 163 países, o Brasil é o 106º no ranking da paz mundial

Publicado em 06/06/2018 - 11:23

Por Marieta Cazarré - Repórter da Agência Brasil Lisboa





O novo relatório Global Peace Index 2018 (Índice Global de Paz 2018, em tradução livre), publicado hoje (6), avalia a paz em 163 países abrangendo 99,7% da população mundial. O Brasil, que ocupa a 106ª posição e sofre com altos índices de criminalidade e corrupção, obteve uma leve melhora no ranking em relação a 2017, quando estava em 108º. O mundo hoje tem o pior índice de paz da última década.

O Brasil, entre os 23 indicadores analisados no documento, obteve os piores resultados em homicídios, percepção da criminalidade, acesso às armas, crimes violentos e terror político.
O Brasil obteve os piores resultados em homicídios, percepção da criminalidade e acesso às armas (Marcelo Camargo - Agência Brasil)

A América do Sul registrou a segunda maior taxa de homicídios entre as regiões do globo, ficando atrás apenas da América Central e do Caribe. No mundo todo, as mortes em conflito aumentaram 264% nos últimos dez anos.

Países latino-americanos como o Chile e o Uruguai, apresentaram boas colocações no ranking, ocupando a 28ª e a 37ª posições, respectivamente.

O Brasil ficou a frente apenas da Venezuela (143º) e da Colômbia (145º), entre os latino-americanos.

Menos paz

De maneira geral, o índice global de paz piorou 0,27% no último ano. Foi o quarto ano consecutivo de pioras, com 92 países apresentando deterioração dos níveis de paz e 71 apresentando melhoras.

Os países menos pacíficos do mundo, atualmente, são a Síria (posição que ocupou nos últimos cinco anos), o Afeganistão, Sudão do Sul, Iraque e a Somália. Os mais pacíficos são a Islândia (país mais pacífico do mundo desde 2008), Nova Zelândia, Áustria, Portugal e Dinamarca.

A Europa, região mais pacífica do mundo, registrou piora pelo terceiro ano consecutivo, principalmente nos indicadores sobre intensidade do conflito interno e relações com os países vizinhos. Pela primeira vez na história do índice, que está em sua 12ª edição, um país da Europa Ocidental experimentou uma das cinco maiores quedas, com a Espanha caindo sete posições no ranking e alcançando a 30ª posição, devido a tensões políticas internas e um aumento do impacto do terrorismo.

De acordo com o relatório, as tensões, crises e conflitos que surgiram na última década seguem sem resoluções, principalmente no Oriente Médio, causando um declínio gradual nos níveis de paz.

Produzido pelo Instituto para Economia e Paz (IEP - Institute for Economics and Peace), o documento é o principal "medidor" mundial da paz. Baseado em uma análise abrangente de dados, traz atualizações sobre tendências da paz global, valores econômicos e definições de critérios para qualificar sociedades pacíficas.

Os 23 indicadores, qualitativos e quantitativos, medem os níveis de paz utilizando três domínios temáticos: o grau de militarização, segurança e conflitos domésticos e internacionais.

O estudo estabelece ainda oito pilares de Paz Positiva (Positive Peace, em inglês), que constituem as atitudes, instituições e estruturas que criam e sustentam sociedades pacíficas. Os pilares são o bom funcionamento do governo, a distribuição equitativa dos recursos, o livre fluxo de informações, as boas relações com os países vizinhos, os altos índices de capital humano, a aceitação dos direitos dos outros cidadãos, os baixos níveis de corrupção e o ambiente de negócios sólido.

Menos aceitação

Quanto ao pilar "aceitação dos direitos dos outros cidadãos", que avalia o respeito aos direitos humanos, igualdade de gênero, tolerâncias entre diferentes grupos e etnias e respeito aos direitos dos trabalhadores, todas as regiões do mundo apresentaram piora entre os anos de 2013 e 2016. A América do Sul, acompanhando a tendência global, também apresentou deterioração nesse quesito.

Seis das nove regiões do mundo apresentaram pioras em seus indicadores no último ano. As quatro regiões mais pacíficas (Europa, América do Norte, Ásia-Pacífico e América do Sul) sofreram deteriorações, sendo que a maior queda foi observada na América do Sul, devido à diminuição na segurança, ao aumento das taxas de encarceramento e ao impacto do terrorismo.

A Europa e a América do Norte também ficaram menos pacíficas, com 23 dos 36 países europeus apresentando piora em relação ao ano passado. A França passou da 51ª para a 61ª posição. O Reino Unido passou de 41ª para 57ª, e a Alemanha foi da 16ª para a 17ª posição.

Impacto financeiro

O impacto econômico da violência no mundo em 2017 foi de US$ 14,76 trilhões em paridade de poder de compra (PPP - purchasing power parity, em inglês). Esse valor é equivalente a 12,4% da atividade econômica mundial (produto mundial bruto) ou US$ 1.988 para cada pessoa.

O impacto econômico da violência aumentou 2% durante 2017 devido a conflitos e gastos com segurança interna, com os maiores aumentos sendo registrados na China, Rússia e África do Sul. Desde 2012, o impacto econômico da violência aumentou 16%.

Edição: Fernando Fraga




domingo, 27 de maio de 2018

Caminhoneiros à luta!


Aeroporto de Brasília tem combustível só até 16h deste domingo
Publicado em 27/05/2018 - 13:33
Por Débora Brito - Repórter de Brasília Brasília





No sétimo dia da greve dos caminhoneiros, a administração do aeroporto de Brasília informou que as reservas de combustível do terminal voltaram ao nível de alerta e só tem querosene suficiente até as 16h deste domingo (27). Ontem (26), o aeroporto da capital recebeu 10 caminhões de combustível, elevando as reservas a 12,5%.

Desde as 18h de ontem, o aeroporto não recebe caminhões de combustível. De meia-noite ao meio-dia de hoje, o terminal operou 43 pousos e 38 decolagens. Até o fim da manhã, três voos foram cancelados e haviam dois atrasados. Segundo a Inframérica, que administra o aeroporto da capital, o tempo dos atrasos registrados não passou de 30 minutos.

Os aeroportos administrados pela Infraero recebem pousos e decolagens, mas permanecem monitorando o abastecimento de querosene de aviação. Nos terminais desabastecidos, as aeronaves chegam e só podem decolar se tiverem combustível suficiente para a próxima etapa do voo.

De acordo com a Infraero, até as 9h10 de hoje, continuavam sem combustível os aeroportos de Carajás (PA), São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG),Ilhéus (BA), Goiânia (GO), Campina Grande (PB), Juazeiro do Norte (CE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Joinville (SC) e João Pessoa (PB).


A Polícia Rodoviária Federal (PRF) ainda não concluiu os dados de hoje sobre desbloqueio nas rodovias - Vladimir Platonow / Agência Brasil

Estradas
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, até ontem à noite haviam 554 pontos de bloqueios nas estradas e 625 pontos já tinham sido desbloqueados desde o início das operações.

Dos 27 estados brasileiros, 23 ainda tinham pontos de bloqueio. Os números da manhã de hoje ainda estão sendo levantados e devem ser divulgados após a reunião de monitoramento que está ocorrendo no Palácio do Planalto.

Suspensão de aulas
A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) informou que as aulas da graduação, pós-graduação e de educação básica estarão suspensas nesta segunda-feira (28). Por meio de nota oficial, a reitoria disse ainda que as atividades de atendimento à população e os serviços de manutenção da universidade funcionarão normalmente.

Amanhã, no fim da tarde, será feita uma avaliação pela reitoria da UFRJ sobre os desdobramentos da crise. Outras universidades adotaram o mesmo procedimento. A reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) emitiu comunicado orientando os professores a não realizarem atividades de avaliação e a desconsiderarem as ausências dos estudantes.

A paralisação dos caminhoneiros também ocasionou a falta de alimentos nos restaurantes universitários. Na Universidade Estadual de Londrina, por exemplo, a falta de mantimentos e materiais levou à suspensão do funcionamento do restaurante.

A universidade decidiu também suspender as atividades acadêmicas amanhã, quando a administração voltará a se reunir para avaliar os efeitos das medidas tomadas para desbloquear as estradas. Somente as atividades administrativas não serão suspensas.

O restaurante universitário da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)  não serviu jantar na sexta-feira (25). A universidade pediu que a comunidade acadêmica acompanhe as atualizações no site da instituição a partir de amanhã.

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) liberou as chefias de departamentos para decidir como administrar as atividades acadêmicas e programar a reposição de aulas. Também orientou que as direções dos setores administrativos adotem ponto facultativo para os servidores. A reitoria informou que avalia permanentemente a situação e informará a qualquer momento sobre novas medidas em decorrência da paralisação dos caminhoneiros.

As universidades federais da Bahia e de Pernambuco também emitiram comunicado oficial anunciando suspensão das aulas amanhã. A Universidade Federal do Tocantins (UFT) suspendeu a aplicação de provas dos vestibulares de educação de campo, de transferências e para concurso de professor.
Saiba mais
Edição: Armando Cardoso


sábado, 5 de maio de 2018

Tudo Lindo


Chimamanda Ngozi Adichie em campanha pela moda nigeriana
A escritora feminista promove o design autoral no projeto Wear Nigerian
14/08/2017 - 15h26 - Atualizado 09h22 por RAQUEL CHAMIS
























A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie está à frente do projeto Wear Nigerian (Foto: Getty Images)


Cada palavra de Chimamanda Ngozi Adichie é um convite a pensar sobre a questões de gênero e de raça. A partir de agora, cada aparição pública também. É que a autora de livros como Americanah (título vencedor do National Books Critics Circle Award) e de discursos de cunho feminista (alguns tiveram trechos musicados por Beyoncé na canção Flawless) acaba de lançar a campanha Wear Nigerian.

Na pratica, é algo simples: ela se comprometeu a vestir roupas assinadas por seus conterrâneos em todos os eventos de que participa  – de premiações literárias internacionais a get-togethers da moda, como o aniversário de 70 anos da Dior em Paris. Os créditos são informados em sua conta de Instagram, @chimamanda_adichie. Esses movimentos, porém, significam bem mais do que um "look do dia". Celebram o comprometimento com narrativas mais plurais sobre o vestir.

"Nas últimas semanas, comprei mais peças de marcas nigerianas do que jamais fiz no passado. Descobri novos nomes. Fui tomada de admiração por mulheres e homens que tocam seus negócios apesar dos inúmeros desafios. Estou particularmente focada em marcas que tenham interesse em vestir mulheres nigerianas."

 Alguns dos looks postados pela escritora em seu perfil @chimamanda_adichie (Foto: Reprodução Instagram)

A empreitada custou alguns botões trocados (em função de dificuldades técnicas e com matéria prima de algumas marcas), disse a escritora no comunicado da ação. Por outro lado, tem dado oportunidade para que um time de criadores (novos e consolidados) seja visto para além das fronteiras do país. Grifes como Ladunni Lambo, Gozel Green e MsBeeFab ganharam uma vitrine especial: Chimamanda "se sente quem realmente é" quando veste as cores e modelagens nigerianas e estimula outras pessoas a tomarem decisões de moda mais conscientes – e com impacto econômico. 

Roupas e histórias por um mundo mais diverso  
Moradora de Lagos, maior cidade da Nigéria, Chimamanda fez faculdade nos Estados Unidos. Foi lá, quando uma colega de quarto a recebeu com perguntas sobre seu país de origem, que tomou consciência sobre o desconhecimento de muitas pessoas sobre a África. Chimamanda disse, anos mais tarde, que atribuía essa postura à ausência de personagens e histórias da literatura que representassem a diversidade do continente. Ela mesma, por muito tempo, não se reconheceu nas páginas que lia.
     
"As coisas mudaram quando eu descobri os livros africanos. Não havia muitos disponíveis e eles não eram tão fáceis de encontrar como os livros estrangeiros. Mas devido a escritores como Chinua Achebe e Camara Laye eu passei por uma mudança mental em minha percepção sobre a literatura. Percebi que pessoas como eu, meninas com a pele cor de chocolate, cujos cabelos não poderiam formar rabos de cavalo, também poderiam existir na literatura. Comecei a escrever sobre coisas que eu reconhecia."

A busca por criar um mundo mais diverso, que é um de seus motores na literatura, mantém-se no projeto Wear Nigerian, dessa vez com vistas à identidade fashion. Ao vestir-se de nomes locais, lembra o mundo que os designers nigerianos existem e podem marcar espaço no cenário internacional. Assim como os escritores que transformaram a sua percepção sobre a literatura, ajuda a salvar o mundo de uma história única sobre a moda.





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